terça, 30 de maio de 2017 - 10:00h
Pesquisa na Ilha de Santana resgata conhecimento popular sobre o clima
Trabalho de doutorado de meteorologista do Iepa leva em consideração o conhecimento tradicional e agrega registro cultural e histórico
Por: Ailton Leite
Foto: Maksuel Martins/SECOM
Jeferson destaca que os moradores da Ilha de Santana costumam usar esse conhecimento popular principalmente na agricultura.

Os povos que vivem na região Amazônica detém conhecimento popular que utilizam em diversas áreas do seu cotidiano. Um deles, o conhecimento sobre a climatologia, usado para saber quando irá chover e quando fará sol, chamou a atenção do meteorologista do Instituto de Pesquisas e Tecnologias do Estado do Amapá (Iepa) Jeferson Vilhena, e acabou virando tema de pesquisa de seu doutorado.

A pesquisa intitulada “Etnoconhecimento dos fenômenos meteorológicos na Ilha de Santana”, iniciou em 2015 e reuniu moradores da ilha que detinham esse conhecimento, que foi registrado por meio de entrevistas. O pesquisador explica que, além do incentivo à pesquisa dentro do Iepa, a falta de um registro dessas populações com relação ao conhecimento meteorológico foi um ponto motivador para a realização do estudo.

“Minha intenção foi encontrar esses conhecimentos, esses ditos, relacionar com a ciência e fazer com que possa ajudar a população na agricultura, na pecuária, como também os cientistas”, destacou Jeferson.

O critério de escolha do local para pesquisa levou em consideração a proximidade com a estação meteorológica de Macapá, criada na década de 20, localizada no distrito de Fazendinha. Durante a pesquisa, alguns ditos populares – como a relação de aves com o tempo e sua influência sobre o clima – acabaram ganhando destaque, bem como outros nem tanto conhecidos pela população.

Resgate de conhecimento

O pesquisador destaca com preocupação a continuidade desse conhecimento. “Um de meus entrevistados faleceu semana passada. Tive a oportunidade de conversar com ele e registrar um pouco do conhecimento que ele lembrava. Quando cheguei a perguntar aos filhos e netos dele, eles não sabiam de nada”, destacou.

O professor doutor Raullyan Silva, que orientou a pesquisa de Jeferson Vilhena, destacou a importância do estudo feito por seu orientando. “Percebemos que a nova geração não busca se interessar por este tipo de conhecimento. Isso é preocupante porque quem detém isso está morrendo e levando consigo estes ensinamentos. Queremos chamar a atenção dos jovens para o resgate deste saber popular”, completou.

 

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